Começar terapia parece, de fora, algo simples. Você agenda, vai, senta e começa a falar. Mas, quando chega lá, nem sempre é assim que acontece.
Nas primeiras sessões, muita gente percebe que não sabe por onde começar. Existe uma sensação de que tem algo ali dentro pedindo cuidado, mas, na hora de falar, as palavras não vêm. Ou então vêm organizadas demais, como se você estivesse explicando algo, e não exatamente mostrando o que sente. E, no meio disso, pode surgir uma dúvida silenciosa: “será que eu estou fazendo isso certo?”
Tem gente que sai da sessão com a sensação de que falou errado, ou que não conseguiu dizer o que realmente queria. E quase ninguém avisa que isso pode acontecer.
Também não se fala muito sobre o desconforto. Não porque o espaço não seja bom, mas porque falar de si de verdade não é algo que a gente aprende ao longo da vida. Na maioria das vezes, aprendemos a dar conta, a seguir, a não mexer muito no que sentimos. Então, quando você se vê ali, diante de alguém, tentando colocar em palavras o que está confuso, pode surgir vergonha, cuidado com o que dizer, uma sensação de estar sendo observada, mesmo quando não há julgamento.
E isso pode dar vontade de mudar de assunto, de se proteger ou até de não voltar.
Outro ponto importante é que a confiança não aparece de imediato. Ela não vem pronta na primeira sessão, ela vai sendo construída aos poucos, na forma como você se sente escutada, na forma como o que você traz é recebido e na sensação, ainda sutil no início, de que você pode começar a relaxar um pouco mais ali. Por isso, é comum não saber ainda se aquele espaço é seguro para você, e isso não significa que a terapia não esteja funcionando, muitas vezes significa apenas que você ainda está se reconhecendo dentro desse processo.
Ao mesmo tempo, muitas pessoas percebem que falar de si não é tão simples quanto imaginavam. Porque não se trata apenas de contar o que aconteceu, mas de entender o que aquilo significou, e isso nem sempre está claro. Às vezes você sente, mas não consegue nomear. Às vezes sabe o que viveu, mas não entende por que aquilo ainda te afeta.
Com o tempo, algo começa a se reorganizar. As palavras aparecem com mais facilidade, algumas coisas passam a fazer mais sentido e você começa a se perceber de um jeito diferente. Mas isso não acontece de uma vez, nem precisa.
A terapia não começa quando você consegue falar tudo. Ela começa quando você consegue, aos poucos, permanecer diante do que ainda não sabe explicar direito.
E talvez isso seja o mais importante de entender: você não precisa saber fazer terapia. Você não precisa chegar pronta. Você só precisa ir.

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