Talvez uma das formas mais difíceis de solidão seja aquela que acontece quando existe alguém ao seu lado.
Porque, quando pensamos em solidão, costumamos imaginar a ausência de pessoas.
Mas nem sempre é assim.
Existem mulheres que vivem a maternidade acompanhadas por parceiros presentes, participativos e envolvidos na rotina da família.
E, ainda assim, sentem-se sozinhas.
Não porque faltou amor.
Não porque exista necessariamente um problema grave no relacionamento.
Mas porque a maternidade traz experiências que, muitas vezes, são difíceis de compartilhar por completo.
Existe uma carga mental que nem sempre é visível.
Existem preocupações que começam antes mesmo de o dia amanhecer.
Existe a sensação constante de estar pensando em tudo ao mesmo tempo.
E, em alguns momentos, surge a impressão de que ninguém consegue compreender exatamente o que está sendo carregado por dentro.
Muitas mulheres se sentem culpadas ao perceber isso.
Olham para o parceiro e enxergam alguém que ajuda, participa e faz o que está ao seu alcance.
Então pensam:
“Por que me sinto tão sozinha?”
Mas a solidão emocional nem sempre tem relação com a quantidade de ajuda recebida.
Às vezes, ela nasce da sensação de não conseguir dividir verdadeiramente aquilo que está sendo vivido.
De não encontrar palavras para explicar o próprio cansaço.
De não se sentir compreendida.
De perceber que muita coisa mudou dentro de si e não saber como compartilhar essa transformação.
A maternidade pode aproximar um casal.
Mas também pode fazer com que cada um fique tão ocupado tentando dar conta da própria adaptação que sobre pouco espaço para perceber o que está acontecendo com o outro.
E, sem que ninguém queira, o relacionamento passa a funcionar mais em torno das tarefas do que das emoções.
As conversas giram em torno dos horários.
Das demandas.
Das responsabilidades.
E aquilo que antes fortalecia a conexão vai ficando para depois.
Talvez por isso tantas mulheres descrevam uma sensação difícil de explicar.
Não é falta de companhia.
Não é falta de amor.
É a sensação de estar vivendo algo muito intenso emocionalmente sem conseguir dividir esse lugar com alguém.
E reconhecer isso não significa que exista algo errado com o relacionamento.
Significa apenas que a maternidade também pode trazer sentimentos contraditórios.
É possível amar o parceiro e sentir-se sozinha.
É possível sentir-se grata pelo apoio que recebe e ainda desejar ser mais compreendida.
É possível estar acompanhada e, ainda assim, precisar de mais espaço para existir emocionalmente.
Porque toda relação passa por mudanças quando os filhos chegam.
E algumas dessas mudanças precisam ser vistas antes que se transformem em distâncias cada vez maiores.
Talvez o primeiro passo não seja tentar resolver tudo.
Talvez seja apenas conseguir nomear aquilo que está sendo sentido.
Porque, muitas vezes, a solidão diminui quando finalmente encontra um lugar para existir.

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