Tem coisas que acontecem dentro de uma mulher que não cabem em uma chamada de vídeo.
Não aparecem nas fotos enviadas para a família.
Não cabem na resposta automática de que está tudo bem.
Porque existe uma parte da maternidade que acontece em silêncio.
Principalmente quando ela é vivida longe do Brasil.
Enquanto o bebê cresce, uma mulher também está mudando profundamente.
Ela aprende coisas novas sobre o filho.
Mas também sobre si mesma.
Descobre forças que não sabia que tinha.
Enfrenta medos que nunca imaginou sentir.
E, muitas vezes, faz tudo isso sem ter por perto as pessoas que imaginou que fariam parte dessa fase da sua vida.
Não é que falte amor.
Muitas dessas mulheres construíram famílias, relações e uma vida que faz sentido onde estão.
Mas existem dias em que a distância pesa.
Dias em que algo acontece e elas percebem que não têm para quem correr.
Dias em que sentem saudade de serem conhecidas por inteiro.
Dias em que gostariam de não precisar ser tão fortes.
Talvez uma das dores mais silenciosas da maternidade no exterior seja justamente essa.
A sensação de estar vivendo uma transformação enorme enquanto o mundo continua olhando apenas para o bebê.
Porque, enquanto todos acompanham o crescimento dele, existe uma mulher tentando entender tudo o que também está crescendo e mudando dentro dela.
Uma mulher que também precisa de cuidado.
De acolhimento.
De um espaço onde possa existir para além das demandas da maternidade.
Se viver a maternidade longe do Brasil tem despertado sentimentos que você tem carregado sozinha, talvez esse também seja um momento importante para olhar com mais cuidado para quem existe por trás da mãe.

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