Tem momentos da maternidade em que muitas mulheres começam, de verdade, a duvidar de si mesmas.
E um deles é quando a relação com o filho começa a ficar mais difícil.
Às vezes isso aparece depois de uma discussão. Depois de perder a paciência. Depois de perceber o filho mais distante, mais irritado ou atravessando uma fase que ela já não sabe mais como conduzir.
E, na adolescência, esse sentimento costuma aparecer com ainda mais força.
Porque o filho muda. A forma de se relacionar muda. O que antes era aceito facilmente agora vira conflito, questionamento, afastamento. Muitas mães começam a sentir que perderam o lugar que ocupavam antes na vida daquele filho, e isso também dói.
Só que, junto dessa dor, muitas vezes vem a culpa.
Uma culpa silenciosa, pesada, que faz a mulher revisitar a própria maternidade inteira tentando encontrar onde errou. Como se cada dificuldade do filho precisasse necessariamente significar que ela não foi uma mãe suficiente.
Mas ser uma boa mãe não significa acertar o tempo todo.
Não significa nunca perder a paciência, nunca se cansar, nunca se frustrar ou nunca se sentir perdida diante de um filho que também está mudando emocionalmente.
Existe uma expectativa muito difícil colocada sobre as mães: a de que elas deveriam dar conta de tudo emocionalmente e ainda fazer isso sem falhar.
E isso não existe na vida real.
Toda relação entre mãe e filho passa por desencontros, conflitos, reparações e fases difíceis. Principalmente quando esse filho começa a construir a própria identidade, questionar limites e se afastar um pouco da infância.
Muitas vezes, o sofrimento dessa mãe não vem apenas do conflito atual. Vem do medo de não estar conseguindo proteger, cuidar ou alcançar emocionalmente aquele filho da forma como gostaria.
E é importante olhar para isso com cuidado.
Porque uma mãe que se questiona, sofre, busca compreender o que está acontecendo e tenta se reorganizar emocionalmente já está, muitas vezes, muito distante da ideia de descuido que ela cria sobre si mesma.
Talvez uma das partes mais difíceis da maternidade seja justamente perceber que amar um filho profundamente não impede inseguranças, falhas, ambivalências e momentos de exaustão.
E talvez ser uma boa mãe tenha menos relação com perfeição e mais relação com presença, reparação, disponibilidade emocional e possibilidade de continuar construindo vínculo mesmo nas fases difíceis.
A terapia pode ajudar justamente nisso. Em acolher a culpa, compreender essas emoções e construir um olhar menos cruel sobre si mesma dentro da maternidade.
Porque, às vezes, o que mais machuca não é apenas o conflito com o filho.
É a forma como essa mulher começa a se enxergar a partir dele.
Se esse sentimento tem aparecido com frequência para você, talvez esse também seja um momento importante para cuidar disso.

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