No começo, muitas vezes, vem a expectativa. A ideia de que talvez aconteça rápido, de forma natural, no tempo imaginado. Algumas pessoas começam a tentar já pensando em nomes, quartos, fases, planos. Existe um movimento emocional que começa antes mesmo da gestação acontecer.
Mas, quando os meses passam e a gravidez não acontece, algo começa a mudar emocionalmente.
Cada ciclo pode começar a carregar expectativa, ansiedade e frustração ao mesmo tempo. O atraso menstrual gera esperança. A menstruação chega e, junto dela, vem uma tristeza que nem sempre é compreendida por quem está de fora.
Porque muitas vezes escutam: “relaxa que acontece”, “não pensa nisso”, “uma hora vem”. Mas nem sempre é simples relaxar quando existe um desejo tão presente emocionalmente.
Com o tempo, a tentativa pode começar a ocupar espaços maiores da vida. O calendário muda. O corpo passa a ser observado de outra forma. Datas, exames, períodos férteis, sintomas e testes começam a atravessar a rotina e os pensamentos.
E existe um desgaste silencioso nisso tudo.
Tem mulheres que começam a sentir culpa, como se o corpo estivesse falhando. Outras se percebem mais ansiosas, mais irritadas, mais sensíveis a notícias de gravidez, chás de bebê ou perguntas que antes pareciam comuns.
Tem casais que se aproximam nesse processo. Outros se desgastam.
E existem também aquelas mulheres que carregam, junto da tentativa, experiências difíceis anteriores. Perdas gestacionais, tratamentos, medos, frustrações ou o receio constante de criar expectativa mais uma vez.
Nem toda tentativa de engravidar acontece da mesma forma.
Algumas pessoas engravidam espontaneamente. Outras precisam passar por investigações, tratamentos ou reprodução assistida. E, em todos esses caminhos, existe algo em comum: o impacto emocional de lidar com a espera, com a incerteza e com tudo aquilo que não está sob controle.
Tentar engravidar também pode mexer profundamente com a forma como a mulher se percebe. Porque, aos poucos, o desejo deixa de ser apenas um plano futuro e passa a atravessar o presente emocionalmente. E, quando isso acontece, nem sempre é fácil sustentar as expectativas, os medos e as frustrações sem um espaço de cuidado.
A terapia, nesse momento, não entra apenas quando existe um diagnóstico ou uma perda. Ela pode ajudar justamente a atravessar esse processo com menos solidão emocional. A organizar os sentimentos, lidar com a ansiedade, elaborar frustrações e construir um espaço onde nem tudo precise ser sustentado sozinha.
Porque, quando a gravidez demora a acontecer, o sofrimento nem sempre está apenas na ausência de um positivo.
Muitas vezes, está em tudo aquilo que vai sendo vivido silenciosamente enquanto ele não chega.
Se esse processo tem sido emocionalmente difícil para você, talvez esse também seja um momento de cuidar disso.

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