Medo do parto: por que participar das escolhas pode diminuir a ansiedade

Quanto mais o parto se aproxima, mais difícil parece não pensar nele.

Tem mulher que começa a imaginar como tudo vai acontecer o tempo inteiro. Outras evitam pensar, como se deixar esse assunto muito perto pudesse aumentar ainda mais a ansiedade. E tem aquelas que oscilam entre momentos de calma e pensamentos que aparecem do nada, principalmente à noite, quando tudo fica mais silencioso.

“Será que eu vou dar conta?”
“E se alguma coisa sair diferente do planejado?”
“E se eu não conseguir?”

Esses medos aparecem mais do que muita gente imagina.

Porque o parto envolve uma coisa que costuma mexer profundamente com a ansiedade: o desconhecido.

Mesmo quando existe acompanhamento, planejamento e desejo, ainda assim ninguém consegue prever exatamente como aquele momento vai acontecer. E talvez uma das partes mais difíceis seja justamente essa sensação de não ter controle total sobre como tudo vai se finalizar.

Além disso, quase toda mulher chega no parto já atravessada pelas histórias que ouviu. Tem relatos que tranquilizam. Outros fazem a mulher sair da conversa ainda mais assustada. Histórias de experiências difíceis, de dor, de frustração ou de situações que não aconteceram da forma como haviam imaginado. E, no meio disso tudo, começa uma tentativa silenciosa de imaginar qual será a própria experiência.

E nem sempre a ansiedade está só na dor ou na escolha da via de parto.

Muitas vezes, ela aparece na sensação de não saber se será escutada, se conseguirá participar das decisões, se vai conseguir sustentar emocionalmente aquele momento ou se simplesmente precisará aceitar tudo o que for acontecendo.

Por muito tempo, o parto foi vivido de uma forma em que a mulher quase não participava das escolhas relacionadas ao próprio corpo e ao nascimento do bebê. Hoje, felizmente, existe mais espaço para perguntas, informação e diálogo com a equipe.

E isso faz diferença.

Não porque tudo estará sob controle ou porque existe uma “forma certa” de parir. Existem situações que mudam durante o processo, condutas médicas necessárias e caminhos que nem sempre seguem exatamente o que foi imaginado no início.

Mas uma coisa é passar por isso sem entender o que está acontecendo. Outra muito diferente é sentir que existe espaço para perguntar, compreender as possibilidades e participar das decisões sempre que isso for possível e seguro para a mãe e para o bebê.

Quando a mulher se sente escutada, algo muda emocionalmente.

A ansiedade pode não desaparecer completamente, mas deixa de parecer tão solitária. Porque, muitas vezes, o que traz segurança não é saber exatamente como tudo vai acontecer, mas sentir que existe espaço para ser ouvida, acolhida e considerada nesse processo.

Talvez se preparar emocionalmente para o parto não seja eliminar o medo, mas conseguir atravessar esse momento com mais informação, mais apoio e menos solidão emocional.

A terapia pode ajudar justamente nisso. Em organizar os medos, diminuir a ansiedade antecipatória e construir um espaço onde essa mulher também possa olhar para si mesma no meio de tantas expectativas sobre o nascimento.

Porque o parto não precisa acontecer sem medo.

Mas pode acontecer com mais escuta, mais cuidado e mais participação.

Se esse momento tem despertado ansiedade ou insegurança em você, talvez esse também seja um momento importante para cuidar disso.

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