Você imaginava que poderia sentir enjoo na gravidez.
Talvez até tenha ouvido que isso é comum, que costuma acontecer no início e que, com o tempo, melhora.
Mas, na prática, não foi assim.
O enjoo continua.
Persiste ao longo dos dias.
E começa a ocupar um espaço maior do que você esperava.
Para algumas mulheres, esse não é apenas um desconforto passageiro.
É acordar já se sentindo mal.
É perder o prazer de comer, de sentir sabores, de sair.
É precisar organizar o dia inteiro em função de como o corpo está reagindo.
Quando isso acontece, a gestação pode se tornar uma experiência bem diferente daquela que foi imaginada.
Não é só o corpo que sente.
O cansaço vai se acumulando.
A rotina muda.
As limitações aparecem.
E, junto com isso, podem surgir sentimentos difíceis de nomear.
Frustração por não conseguir aproveitar esse momento.
Irritação por não ter trégua.
E, às vezes, pensamentos que assustam, como desejar que aquilo passe logo, de qualquer forma.
Na maioria das vezes, esses pensamentos não falam sobre o bebê.
Falam sobre o limite de um corpo e de uma mente que já estão exaustos.
Existe também um desencontro silencioso.
Porque a gravidez ainda é vista como um período leve, bonito, especial.
E quando a experiência é marcada por mal-estar constante, pode surgir a sensação de estar vivendo algo diferente do que deveria ser.
Se você está passando por isso, talvez seja importante reconhecer:
isso que você está vivendo não é pequeno.
E não é só físico.
Respeitar os seus limites, reduzir o que for possível e permitir-se não dar conta de tudo pode ser um começo.
E, quando possível, falar sobre o que está sentindo também pode ajudar a tornar esse caminho menos solitário.

Deixe um comentário