Como a nossa história influencia a forma como somos pais

Depois que tive um filho, um movimento passou a ser constante: o de revisitar a minha própria história.
E isso não acontece apenas comigo.

Há estudos que mostram o quanto, com a chegada dos filhos, somos levados a revisitar experiências da infância, sejam elas boas, difíceis ou traumáticas. Tornar-se pai ou mãe frequentemente nos coloca diante do que vivemos, do que recebemos e daquilo que, consciente ou inconscientemente, carregamos para a parentalidade.

Nesse processo, surge a oportunidade de olhar para as próprias vivências e refletir sobre o que desejamos transmitir adiante e o que não queremos repetir com nossos filhos. Esse movimento, no entanto, nem sempre é consciente. Muitas pessoas acabam repetindo ciclos familiares, não por escolha, mas pela falta de elaboração da própria história emocional.

O que quero trazer aqui é a importância de cuidar daquilo que nos constitui como pessoas e como pais.

Todos nós temos marcas da nossa história.
Algumas são cicatrizes, lembranças de algo que foi vivido e, de alguma forma, elaborado.
Outras são feridas que foram mal cuidadas, que podem se abrir com um simples toque.
E há ainda aquelas que permanecem abertas, doem, rasgam e atravessam o presente.

Cuidar da própria história emocional nos dá a possibilidade de não repetir essas dores na relação com nossos filhos. Permite ressignificar vivências, compreender experiências passadas e avaliar como queremos viver a parentalidade a partir de tudo aquilo que nos machucou.

Ter filhos nos deixa mais vulneráveis.
Mas também pode nos fortalecer.

Conhecer a própria história não é apenas um exercício individual. É um gesto de cuidado que atravessa gerações. Quando uma mãe ou um pai se dispõe a olhar para si, cria-se a possibilidade de libertar os filhos de reviverem uma história que nunca foi deles.

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