Quando a gestação termina em perda: um luto que precisa ser acolhido!

Quando falamos em gestação, o que costuma vir à mente é a ideia de vida, continuidade, futuro. Mas existe um período silencioso, muitas vezes atravessado por medo, ansiedade e insegurança, especialmente nos primeiros meses, em que a possibilidade de uma perda se faz presente.

Costumamos ouvir que a gestação “fica mais segura” após os três primeiros meses. E, ainda assim, o fato é que não temos controle sobre quase nada quando uma gestação acontece. É justamente essa falta de controle que assusta, que angustia, que faz o corpo e a mente viverem em alerta.

Esse medo pode ser ainda mais intenso para mulheres que já passaram por uma perda

Um luto que não pode ser medido

Após uma perda, é comum surgirem sentimentos como culpa, questionamentos, tentativas de entender o que poderia ter sido diferente.
“Será que fiz algo errado?”
“E se tivesse sido de outro jeito?”

Cada mulher vive esse luto a partir do seu contexto.
Às vezes a gestação foi muito planejada, sonhada.
Às vezes veio sem planejamento.
Às vezes aconteceu em meio a um relacionamento fragilizado, a uma separação, a uma doença, a um momento difícil da vida.

Mas quando se perde, se sente.
E não existe um tempo certo para essa dor ir embora.

O que realmente ajuda nesse momento

O tempo, por si só, não apaga a dor, mas pode ajudar a pensar, compreender e ressignificar.
E esse processo acontece melhor quando a mulher é acolhida, não julgada.

Infelizmente, nem sempre é isso que acontece.
Às vezes, dentro do sistema hospitalar, a perda vira apenas mais um prontuário.
Às vezes, o consolo vem em forma de frases que ferem:
“Depois você tenta de novo.”
“Era muito cedo para sofrer tanto.”
“Você ainda é jovem.”

Nada disso acolhe.

O que acolhe é ser vista.
É ser abraçada.
É ter sua dor respeitada.

Para quem passou por uma perda

Para cada mulher que passou por um aborto e sentiu o chão desaparecer.
Para quem chorou no travesseiro, no banho, no silêncio.
Para quem se perguntou “por quê”.

Receba aqui o meu abraço mais sincero.
E o desejo de que essa perda, no seu tempo, possa encontrar um lugar possível de ressignificação, sem pressa, sem cobranças, sem silenciamento.

Você não está sozinha.

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